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terça-feira, 24 de agosto de 2021

A joia vermelha de Macy Gray



E lá se vão 22 anos desde o lançamento do festejado “How life is”, que nos apresentava uma cantora impregnada do
caldeirão da música negra americana, colocando soul, rythm & blues, hip hop, blues, jazz, reggae, gospel e baladas
românticas num universo sonoro. Seu timbre peculiar, afinadíssimo e sem extravagâncias vocais, emoldurado por uma rouquidão que tanto a incomodava no início de carreira, fez de Macy Gray uma das mais carismáticas cantoras do século.

Envolvida nos show da turnê de lançamento de “Ruby”, seu mais novo trabalho, Macy revela que planeja incluir a América do Sul, e por extensão o Brasil, em seu calendário. “Meus agentes estão negociando. Em breve, poderemos ter novidades”, disse, em entrevista. Se tudo der certo, o público brasileiro poderá conferir a solidez deste seu novo
projeto. “É provavelmente o melhor álbum que fiz. Um dos melhores que já ouvi e aposto que quem ouvir vai
adorar também”, comenta. “Meu som reflete onde estou, o que estou sentindo. Estou um pouco mais velha,
só um pouco [risos]”, acrescenta.

Um álbum 100% autoral

O tempo que assombra tantos artistas é particularmente motivador para Macy Gray, que se sente mais à vontade para criar. “Ruby” é um álbum 100% autoral – Macy assina sozinha ou com parceiros as 12 canções do CD. “Tive mais experiências e influências e trabalhei tudo isso para que meu som possa soar mais novo e relevante. Sinto que consegui alcançar isso e estou extremamente orgulhosa deste álbum”, insiste.

Com cuidados de artesã, Macy Gray trabalhou as canções de forma delicada, da mesma forma que um joalheiro lapida rubis que, aliás, são as pedras preciosas da cantora. “Amo os rubis e queria um título que pegasse. A pedra também é vermelha, que é a minha cor favorita”, conta a cantora e compositora, cujo sobrenome é de outra tonalidade – o cinza (gray, em inglês).

Ela é ganhadora de um Grammy e de dois Brit Awards. “Trabalhamos por cerca de um ano e meio apenas encontrando as músicas certas e a energia certa para animar as pessoas. Eu queria fazer as pessoas
sentirem algo, fazê-las felizes é um mantra que me persegue”.

“Ruby” foi produzido por Johan Carlsson (Ariana Grande e Maroon 5), Tommy Brown (Jennifer Lopez e Fifth Harmony) e Tommy Parker (Janet Jackson e Justin Bieber). “Eles são todos produtores estelares e me ajudaram a criar um projeto incrivelmente rico. Foram brilhantes na integração dos arranjos de sopros e cordas. O trabalho é recheado de camadas complexas, de acordo com meu desejo de que nunca fosse chato em termos de música”, explica ela, que compôs quase tudo no estúdio. “Eu tenho ideias musicais, temas tomam minha cabeça de assalto o tempo todo, mas sempre deixo as músicas para serem escritas no estúdio”.

Relação de amor e ódio com a voz

Mesmo lotando casas de shows por todo lugar em que passa, Macy costumava revelar um certo descontentamento
em ser ela mesma – seu álbum de 2003, coincidentemente chama-se “The trouble with being myself” (O problema em ser eu mesma, em português) – em parte por não gostar da forma como canta. “Tenho uma relação de amor e ódio com minha voz”, desabafa, numa autocrítica que parece excesso de modéstia para uma cantora que já teve seu tom comparado ao da diva Billie Holliday.

A influência do jazz e do R&B são marcantes no décimo álbum da carreira da artista. O lado Billie de Macy
desponta na romântica “Tell me” (“I wrote you a letter / but face to face is better”), que nos transporta para um
bar enfumaçado, típico dos anos 1950. E o romance ganha ares picantes com “Sugar daddy”, parceria de
Macy com a cantora pop Meghan Trainor (“Be my, be my sugar daddy / and provide me with your candy”).
“Meghan e eu adoramos a parceria. Ela tinha o conceito na cabeça por algum tempo e, então, nós tentamos botar aquilo no papel. Ficou divertido e um pouco atrevido”, reconhece.

Mas “Ruby” não oferece ao ouvinte apenas o clima de jazz pub. O naipe de vozes das backing vocals soa grandioso e deliciosamente funkeado nas setentistas “Cold world”, “Over you” (com seus sopros de fazer os quadris mais duros remexerem) e “Jealousy” no melhor estilo Motown. Já “Witness”, claramente inspirada no reggae, extrai uma comovente interpretação em versos como “I would make sure to fix it/ Can I get a witness?” Ouça aqui a reflexiva “Budha”, também de “Ruby”.

Compositora precoce e cantora por acaso

Filha de uma professora de matemática, Macy Gray, ou Natalie Renee McIntyre, nasceu na pequena Canton, em Ohio. O sobrenome veio do padrasto que a adotou. Trabalhou por meses no Pro Football Hall of Fame, mas foi
demitida por atraso. Decidiu seguir a carreira musical depois de ser expulsa de um internato de ensino médio.
Enquanto estudava na Universidade da Carolina do Sul da Califórnia, concordou em escrever canções para um amigo. Mas, no dia gravação, a cantora não apareceu e Macy teve de interpretar as próprias músicas, mesmo não
gostando de sua voz. A fita demo foi parar na Atlantic Records, que lhe propôs um contrato. Porém, seu empresário Tom Carolan levou-a para a Epic Records antes que ela gravasse o álbum de estreia. Enquanto gravava o consagrado “How life is”, a artista também cantou no álbum de estreia dos The Black Eyed Peas
(“Love won’t wait”).

Além do sucesso como cantora, atuou como atriz em séries de TV e em 12 filmes, seja representando a si mesma ou personagens fictícios, como nos longas “Training Day” (com Denzel Washington e Ethan Hawke), “Homem-Aranha”, “Todo mundo em pânico 3”, “A volta ao mundo em 80 dias”, “Obsessão” (contracenou com Nicole Kidman), “Grim Slepper” e “The Paperboy”. Fã declarada de cinema, ela diz assistir a toneladas de filmes,
mas que sempre fica nervosa quando vai contracenar com algum astro das telas. Veja aqui seu desempenho em “Training Day”:

Ainda sobre os benefícios de ter o tempo a seu lado, ela faz uma pausa para filosofar sobre a missão do artista. “Adoro quando os fãs chegam com histórias de como eu os inspirei, os influenciei ou os ajudei a passar por um momento de suas vidas. Quero que tirem sinceridade, honestidade e autenticidade do meu trabalho. Me vejo proporcionando algo significativo e respeitoso junto ao meu atencioso público. Sempre penso em como posso contribuir com as pessoas, seja como artista, seja como ser humano. Acho que este é o caminho”. Macy Gray se importa em fazer com que as pessoas possam se divertir e refletir através de suas canções. E entrega o que promete.

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